terça-feira, 19 de maio de 2009

Fazenda São Paulo - breve história
Conservatória
Para se contar a história da bela fazenda São Paulo, é preciso navegar no tempo e buscar o registro das recordações daqueles que foram os primeiros a conquistar as terras onde se encontra a sede da sua casa-grande. Assim, tomamos conhecimento do pioneiro na ocupação dessas terras, o Sr. Francisco Dionísio Fortes de Bustamante, que nelas chegou por volta de 1780, filho de influente e conceituada família de São João d´El Rei, proprietária de minas de ouro e de muitas terras, e à qual se deve a construção da famosa fazenda Santa Clara, localizada na região de Rio Preto. Casado com dona Joaquina Felisberta, Francisco Dionísio teve quatro filhos legítimos: Francisco Theresiano Fortes, Antônio Joaquim Fortes de Bustamante, mais tarde desembargador, formado em leis pela Universidade de Coimbra; Isabel Henriqueta Fortes e Eleuthéria Claudina Fortes.
Coube a Antônio Joaquim Fortes de Bustamante, em 1817, iniciar a construção da sede da Fazenda São Paulo e a plantação de café. Como muitos outros grandes senhores, Antonio Joaquim ajudou a comunidade, criou a Paróquia de Nosso Senhor dos Passos de Rio Preto (Resolução de 14 de julho de 1832), e procedeu aos atos de criação dos distritos de Rio Preto, Santa Rita de Jacutinga e Santa Bárbara do Monte Verde, localizadas hoje no Estado de Minas Gerais. Casou-se com dona Orminda Constança Fortes, e dessa união nasceram Adriano Fortes de Bustamante e Antonio Fortes de Bustamante.
Em 7 de maio de 1870, Antônio Joaquim Fortes Bustamante vem a falecer. Os autos do Formal de Partilha permitem avaliar a grande riqueza acumulada pelo desembargador ao longo de sua vida. À época da sua morte a fazenda contava com um cafezal de 550.000 pés, 400 alqueires de feijão e 300 de arroz, além de dispor de 176 escravos. O conjunto de construções em torno da Casa-Grande compreendia senzala, tulha, enfermaria para escravos, engenho para socar café e engenhos de cana e de farinha de mandioca, além de moinhos, alambique, estrebaria e paióis.
Em 1915, depois de enfrentar muitas dificuldades, decorrentes da abolição da escravatura, os herdeiros de Antônio Joaquim Fortes de Bustamante resolvem vender a fazenda. Esta foi adquirida por um grande empresário da época, o Coronel Manoel Cardoso, que se tornou um dos maiores produtores de café, sendo dono de fazendas vizinhas — São Fernando, São Francisco e Capoeirão, entre outras. Após a crise de 1929, também o Coronel começa a passar por dificuldades. Nessa mesma ocasião, apóia a candidatura do Dr. Júlio Prestes à Presidência da República e associa-se à Companhia Magalhães, Cardoso e Ltda. Seis anos mais tarde, em 1935, a fazenda já pertencia somente à família Magalhães.
Em 1990, a fazenda foi vendida para uma empresa cujos administradores vêm recuperando toda a construção da sede, que, inabitada desde 1915, já perdera parte de suas parede e telhado.
Fonte: www.valedocafe.com.br

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